Observatório – Tomb Raider: o valor de um bom desafio

Sentar em frente ao PC em 2018 para jogar Tomb Raider 2, um jogo lançado há mais de 20 anos, é uma experiência ao mesmo tempo divertida e estranha. A forma de fazer jogos mudou muito desde aquela época, e os jogadores também. Coisas que tinham importância na época acabaram caindo no esquecimento, ou até sendo consideradas obsoletas. Porém, isso não significa que o jogo não tenha nada a nos ensinar. Nesse post, quero falar de algumas coisas que me surpreenderam ao jogar Tomb Raider 2, e que trazem reflexões interessantes tanto para desenvolvedores quanto jogadores:

1. Leia o manual:

Tomb Raider 2 não tem tutorial. Os controles e uma introdução sobre o enredo estão disponíveis em um manual, que vem disponível em PDF junto com a versão digital. Parece uma coisa um tanto antiquada precisar ler um documento antes de jogar qualquer jogo, mas era assim que a coisa funcionava com muitos dos jogos que eram lançados 2 décadas atrás. Cometi o erro de não ler todo o manual com atenção e fiquei trancado em uma fase por não saber qual botão era utilizado para acelerar um veículo (lancha). Se por um lado isso pode parece chato, obrigar o jogador a ler algo torna o jogo uma experiência mais lenta, onde tudo é apreciado e aprendido em seu devido tempo. A maioria dos jogos atualmente se apressam em colocar o jogador no meio da ação e aventura logo de início, e é legal ver uma abordagem diferente.

2. Nada de pedir uma ajudinha:

Nos jogos mais recentes da franquia Tomb Raider, Lara irá dizer pistas ao jogador caso ele esteja demorando tempo demais para resolver um puzzle. Embora isso possa ser um alívio para alguém que já esteja há algum tempo trancado na mesma fase/puzzle, este tipo de abordagem acaba com uma das melhores partes de qualquer jogo: o prazer da descoberta. Quando você descobre ou conquista algo com seu próprio esforço, seja em um game ou na vida real, a sensação é sempre de dever cumprido, realização, plenitude. Quando alguém simplesmente aparece e te diz o que fazer, a sensação é de conforto, mas ao mesmo tempo de monotonia. Um bom jogo deve ter um equilíbrio entre “sofrimento” e recompensa.

3. Você precisa saber por onde está indo:

Cada fase de Tomb Raider te leva para um lugar diferente, como a Muralha da China, os canais de Veneza, uma ópera e até uma plataforma petrolífera. Todos estes ambientes são gigantescos e exigem que você saia para explorar e observe bem os arredores antes de tomar qualquer decisão. Ou seja, sair correndo e atirando por aí é muito útil para derrubar alguns inimigos no caminho, mas você só vai seguir adiante se parar, respirar fundo e entender o ambiente virtual tão bem quanto o que existe ao seu redor na vida real. Isso nem sempre é fácil, e as vezes pode exigir longos minutos de tentativa e erro. Contudo, conhecer o cenário é uma das partes mais interessantes do jogo, e dedicar tempo a isso vale a pena.

Considerações finais:

Tomb Raider 2 é um jogo genial, que exige do jogador um total domínio dos controles e do espaço em que o jogo acontece. Pelo pouco que se sabe até o momento, parece que o próximo jogo da série, Shadow of the Tomb Raider, seguirá alguns destes conceitos (veja mais no artigo do Kotaku: Three Small Ways Shadow Of The Tomb Raider Is Changing Things). Apesar de ser um pouco esquisito jogar algo com gráficos poligonais e texturas pixeladas hoje em dia, o game traz consigo um espírito de aventura e descoberta que faz a árdua jornada valer a pena. Recomendo!

Tomb Raider 2

  • Desenvolvedor: Core Design
  • Data de lançamento: 31/10/1997
  • Plataformas: PlayStation 1, Windows, Macintosh, Android, iOS

Fontes das imagens:

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