Observatório – Valor de replay: o que nos leva a jogar novamente?

Quais são as principais qualidades que deveríamos olhar em um videogame? Embora a resposta para essa pergunta dependa muito do gosto de cada um, existem vários fatores que influenciam na construção de um bom jogo: enredo, jogabilidade, gráficos, trilha sonora, entre outros. Porém, existe uma qualidade da qual nem sempre se fala, mas que é fundamental para que um game seja não apenas bom, mas também memorável: replay value. O termo, que pode ser traduzido como “valor de replay”, define o potencial que um game oferece para que continue a ser jogado, mesmo após a primeira sessão de jogo ou o término dos objetivos principais. Usando como exemplo alguns games que joguei recentemente, vou explicar os 3 tipos mais comuns de valor de replay.

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Replay por recompensa

Em Hoppenhelm, você controla um cavaleiro medieval que precisa pular sobre de obstáculos e combater monstros dentro de uma masmorra. Durante este percurso, o personagem coleta ouro, que pode ser utilizado para comprar armas e desbloquear novos personagens. A mecânica de jogo é simples e extremamente divertida. Mas, o que te leva a jogar de novo? Bom, a possibilidade de coletar mais ouro, e comprar mais itens. E isso vale para boa parte dos jogos mobile hoje em dia. O jogador continua a jogar repetidamente para ganhar mais pontos, itens ou vantagens no jogo. Para o desenvolvedor do game, criar e manter um fator replay é muito importante, visto que, se os jogadores voltam a abrir o app e assistir anúncios, isso gera mais retorno. O replay por recompensa é uma das estratégias mais simples de se implementar, e que estão em boa parte dos joguinhos “viciantes” por aí. Mas cuidado ao implementá-la: ela enjoa rápido.

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Replay por exploração

Em Crazy Taxi, você controla um taxista que deve levar pessoas para diferentes pontos da cidade dentro de um determinado limite de tempo. No início isso é bem complicado, especialmente por que você não conhece a cidade. Mas com o passar do tempo, cada cantinho passa a ser familiar: a praia, a pizzaria, a estação de trem. E embora o objetivo de Crazy Taxi seja fazer o maior número de pontos, tem mais uma coisa que te incentiva a jogar por muitas e muitas: a exploração. A cidade dentro do jogo é rica em detalhes e lugares interessantes, que te cativam a explorar cada vez mais. Esse tipo de estratégia é natural para qualquer jogo com um mundo aberto, e é por isso que games como Fallout, Skyrim e The Witcher fazem tanto sucesso e mantém os jogadores entretidos por centenas de horas: eles trazem a sensação de aventura e descoberta através da exploração.

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Replay por história

Assim como assistimos várias vezes nossos filmes e séries preferidos, ou ouvimos infinitas vezes aquela música que nos traz boas lembranças, com jogos não é diferente. E isso acontece porque todo mundo adora reviver e relembrar histórias, sejam reais ou da ficção. Como já comentei no post sobre jogos focados em história, ver games com histórias complexas e estilo cinematográfico está se tornando algo cada vez mais comum. Só que essa complexidade pode tornar as coisas confusas de vez em quando. Jogos como Life is Strange ou Heavy Rain têm tramas densas com vários personagens e múltiplos finais possíveis. Sendo assim, em muitos casos vale a pena jogar de novo para aproveitar a história com mais calma, pegar detalhes que foram perdidos em um primeiro playthrough ou procurar segredos escondidos.

Fontes das imagens:

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.tobiasornberg.knightgame&hl=en

https://www.playstation.com/en-us/games/heavy-rain-ps4/

https://store.steampowered.com/app/71230/Crazy_Taxi/

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