Observatório: Leis para Todos – A política nos games

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Em ano de eleições, muito se discute sobre o impacto da mídia nas opiniões do público quanto aos problemas do país e as propostas dos candidatos. Mas, sendo os games uma forma popular de mídia, qual é o papel deles na discussão política? Bom, muitos jogos preferem se afastar de assuntos tão espinhosos como esse e focar apenas na diversão. Difícil tirar uma reflexão social de Candy Crush ou Angry Birds, não é mesmo? Sim, e não há problema nenhum nisso. Nem tudo precisa ter um significado profundo e filosófico.

Porém, principalmente entre os jogos triple-A, vemos muitas obras apresentando histórias complexas e que geram discussão em diferentes pontos. Só tem um problema: como esses jogos não são feitos no Brasil, dificilmente eles refletem problemas daqui. Metal Gear Solid e Splinter Cell são exemplos de franquias que já questionaram em seus enredos o conceito de “guerra ao terror” e as políticas armamentistas dos EUA. Mas, e quanto a corrupção e os problemas brasileiros? Bom, aí temos Leis para Todos, uma visual novel para Android e iOS produzida pelo estúdio cearense Supernova Games.

No jogo, você assume o papel de Alberto Colina, um deputado federal recém eleito com esperança de mudar o país para melhor. No decorrer da história, o jogador poderá propor seu projeto de lei e influenciar na aprovação ou rejeição de projetos de outros deputados. Contudo, isso não é tarefa fácil. Você precisará convencer o resto do plenário do seu ponto de vista, e para isso precisará de argumentos. Nesse aspecto, Leis para Todos tem uma abordagem bem casual: para pesquisar sobre um assunto, basta jogar um mini-game de juntar peças da mesma cor (ao maior estilo Candy Crush). Ao juntar peças, o jogador ganha pontos e desbloqueia argumentos, que podem então ser utilizados durante os discursos interativos.

A visualização dos diálogos e interação com os demais personagens se desenrola da mesma forma que em uma visual novel, bastando clicar nas opções da diálogo para que elas ocorram. E apesar da premissa simples, o game traz uma reflexão interessante através da jornada de Alberto, que, apesar de ter boas intenções, sofre em meio a um sistema que está profundamente corrompido e que é manipulado por pessoas com muito mais poder e influência do que ele poderia inicialmente imaginar. Mas, de certa forma, a mensagem que fica no final é de esperança. As aparências enganam e o melhor candidato nem sempre é aquele que promete mudar o Brasil, mas sim o que pensa no bem comum, ou seja, em Leis para (o benefício de) Todos.

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