O que é indie? Buscando uma definição

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Nessas 2 primeiras décadas dos anos 2000, o termo indie se tornou largamente conhecimento e pipocou por todos os cantos na mídia. Indie rock, indie games, indie movies: se você se liga em cultura pop, mesmo que seja só um pouquinho, você certamente você já ouviu alguma dessas expressões. Mas o que isso significa afinal. Bom, “indie” é na verdade uma abreviação para “independente”, ou seja, uma obra produzida por uma empresa ou equipe pequena ou que ainda não é “consagrada”. Em muitos casos, são completos desconhecidos que só chegam à fama depois que seu produto explode nas bilheterias ou plataformas de streaming.

Contudo, essa é uma definição bem rasa do termo, principalemtne no que se refere ao mundo dos jogos. Por exemplo, muitos indie games são criados por pequenas equipes, mas patrocinados e publicados por empresas milionárias, que em muitos casos podem dar pitacos no projeto e literalmente “moldar” o jogo a sua vontade, visando mais o lucro do que a liberdade criativa. Isso não parece tão “independente” assim, não é mesmo? É por isso que muita gente contesta o rótulo de “indie” e tenta não só criar uma definição do que é indie e do que não é, mas também formas de definir o quão indie uma obra é.

Mas como criar uma boa definição de “independência”? Bom, pra começar precisamos entender bem o conceito. Conforme Maria Garda discorre no artigo Is Every Indie Game Independent? Towards the Concept of Independent Game:

A noção de independência é, em sua essência, um conceito relacional. Não existe independência por si só, você precisa ser independente de algo. (…) Acreditamos que de forma a capturar o significado da noção de jogos independentes é útil diferenciar 3 tipos de entidades que podem funcionar como parâmetros. São elas: investidores, público pretendido e publishers.

Através desses 3 parâmetros, Garda define 3 tipos distintos de independência: financeira, criativa e de publicação. A partir dessas categorias, podemos fazer uma análise mais aprofundada do mundo indie e ver que na verdade o mundo dos indies vai muito além das aparências. Podemos encontrar jogos ser criados com visuais e conceitos não convencionais, mas patrocinado por um empresa milionária (como no caso de Valiant Hearts, da Ubisoft). Por outro lado, um indie pode abordar também algum gênero convencional e pouco disruptivo, embora seja criado por uma equipe pequena e com poucos recursos (como muitos jogos mobile de plataforma/ação que vemos por aí).

O artigo descreve ainda vários outras características que a maioria dos jogos indie tem em comum, e que poderiam ser utilizadas como um forma de categorização. Entre elas estão baixo orçamento e preço de venda, distribuição digital (da qual plataformas como a Steam foram pioneiras), estilo retrô (que é marca registrada de sucessos como Shovel Knight e Hotline Miami) e natureza experimental (como nos consagrados Braid e Papers Please, ambos originários de game jams).

Porém, o ponto que considero mais importante no artigo é a reflexão de que os indie games devem ser analisados não apenas como um mero rótulo, mas também como um momento de importância na história. É possível que daqui há meio século estejamos analisando esses jogos como registros históricos, e tentando entender não apenas sua jogabilidade ou gráficos, mas também o que representaram para as pessoas de sua época:

Enquanto a noção de “jogo independente” é ampla (…), a noção de “indie game” deve ser entendida de forma mais específica, referindo-se somente a um conjunto de jogos produzidos em um época e local específicos. Acreditamos que o período em meados dos anos 2000 foi um momento histórico formativo, no qual muitas práticas e tendências começaram a consolidar o que hoje indentificamos como indie games.

Fontes: